Uma equipa de cientistas norte-americanos avança agora um período para o início da gravidez, quando um óvulo fecundado se fixa no útero: seis a 12 dias depois da união de um espermatozoide a um óvulo.

A partir de que momento uma mulher está grávida?

A questão não tem tido uma resposta exata. A gravidez humana começa seis a 12 dias após a fecundação, pois é nesse período que o óvulo se prende à parede do útero - diz uma equipa de cientistas da Carolina do Norte, nos EUA. 

Segundo esses cientistas, na maioria das gravidezes com sucesso, o óvulo fecundado implanta-se no útero oito a dez dias depois, sendo o oitavo dia aquele que parece apresentar mais probabilidades de sucesso para a gravidez. 

Quanto mais tarde se der a implantação, mais hipóteses há de a gravidez terminar em aborto espontâneo, porque o útero tem um mecanismo de seleção natural dos óvulos fecundados.


Confirmação de Estudos sobre a Gravidez

Resultados publicados na revista "The New England Journal of Medicine", são considerados um avanço nos conhecimentos nesta área. 

"É a primeira vez que realmente temos informação concreta sobre o início da gravidez nos seres humanos", disse o coordenador do estudo, Allen Wilcox, do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental e professor de epidemiologia na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. 

"Este é um aspecto muito básico da biologia reprodutiva, que provavelmente será incluído nos livros. É um passo em frente no que sabemos sobre a gravidez. 


Reprodução Assistida

Os investigadores acompanharam durante seis meses, através de análises à urina, 221 mulheres saudáveis que tentavam engravidar sem recurso a técnicas de reprodução medicamente assistida. 

Dessas 221 mulheres, 199 engravidaram e os cientistas conseguiram estudar 189 grávidas, analisando as hormonas que indicam o momento da fertilização e da implantação no útero.

A fertilização inicia-se no momento em que o espermatozoide e o óvulo se fundem, o que geralmente ocorre numa das trompas de Falópio. 

A partir daí, está já formada uma entidade que possui um genoma humano próprio, resultante da mistura dos patrimônios genéticos contidos no óvulo e no espermatozoide, mas a sua viabilidade não está garantida. 

A célula única que constitui o ovo fertilizado vai-se dividindo, aumentando de tamanho, e vai descendo pela trompa até ao útero, em cuja parede se fixa. 


O Embrião Começa a se Desenvolver no Útero

O ovo, que até aqui tinha evoluído de forma independente, necessitando apenas de um ambiente propício à sua evolução mas com um mínimo de interações com o útero, toma a designação de embrião e começa a ser rodeado por vasos sanguíneos do útero, que põem indiretamente em contacto o sangue do embrião com o da mãe.

Só quando o óvulo fertilizado se fixa no útero é que a gravidez começa. Sabe-se que isto acontece por volta de uma semana depois da fertilização, mas a dúvida tem sido, até agora, saber com rigor quando se iniciava de facto. 


Qual o Período da Fecundação
A resposta, segundo este estudo, é seis a 12 dias após a fecundação. A maior parte das gravidezes que chegam ao fim iniciaram-se entre o oitavo e décimo dia após a fertilização, mas o oitavo dia é aquele que parece apresentar mais probabilidades de sucesso.

De fato, das 189 gravidezes acompanhadas por este estudo, 48 resultaram em abortos espontâneos antes das seis semanas. "O risco de uma perda precoce, na primeira fase da gravidez, esteve fortemente relacionado com a data da implantação", revelou Wilcox. 

Ele acrescentou: "Essa perda precoce foi menos provável quando a implantação ocorreu no nono dia [13 perdas entre 102 gravidezes, ou 13 por cento]."No décimo dia, a taxa de abortos espontâneos subiu para os 26 por cento (14 entre as 53 gravidezes ocorridas nesse período). 

No décimo primeiro dia, elevou-se para os 52 por cento e, depois dessa data, situou-se nos 82 por cento. 

Muitas vezes, as perdas precoces acontecem antes de as mulheres se aperceberem da gravidez.


Rejeição do Óvulo pelo Corpo da Mulher
Este é um mecanismo de defesa natural: o útero tem tendência para rejeitar os óvulos fertilizados que demoram muito tempo a implantar-se, pois podem ser menos capazes, explicou Wilcox. 

Segundo o investigador, é possível que sejam rejeitados por não serem saudáveis. 

Se esse for o caso, Wilcox considera que é preciso ter cuidado nas tentativas para expandir artificialmente o período em que o útero aceita um óvulo.Na verdade, os resultados deste estudo poderão influenciar a fertilização medicamente assistida. 

"Não queremos retirar da mãe a capacidade natural de perceber que uma gravidez potencial pode não estar correndo bem, devido a anomalias nos cromossomas ou outros problemas de desenvolvimento." Allen Wilcox.


Fonte: www.publico.pt